- Com aquele chuva toda a vila começou a encher, encher e quando vimos a água já tava nas casas. Eu era o único bombeiro ali e todos me gritando: Soveral, Soveral! socorro! A minha casa fica no final da vila em um ponto mais alto...parecia ser o porto seguro de todos. Cara, passei a madrugada toda ajudando os moradores a saírem de suas casas. Ainda bem que sempre tenho cordas lá em casa.
- Que sorte hein!
- Sorte? Sorte tive às 6 da manhã. A casa da Cremilde desabou. E lá fui eu atender mais um chamado. Tava tudo soterrado. Por sorte consegui retirar o Wellington, filho dela de 12 anos, com vida. Depois disso os bombeiros já estavam no local e o sacana do Roberto ainda veio tirar sarro com a minha cara. Eu todo lamiado, ele bate nas minhas costas e diz: “bombeirão, pode folgar agora”.
- Caramba, que férias!
- Eu mortinho, todo sujo e ainda assim fui ovacionado pelo bairro todo.
- Pelo menos isso né. Quem sabe você não ganha um elogio do comandante.
- Elogio? Vou esperar sentado. Se não sair no jornal eles não vão nem ficar sabendo.
- Mas a vida de bombeiro é essa meu chapa. Heróis anônimos, esqueceu?
- Claro que não. É bom ser herói, mas não nas férias.
- E quem disse que herói tira férias....
- Valeu parceiro, to indo nessa... O herói aqui precisa descansar um pouco antes que alguém peça socorro...
- Engraçadinho... ... Aeee..... deu chuva pro dia todo. Não vai esquecer a capa de super herói.... Quer um nome?
- Diz aaeee...
- Super Fire-Man! ....Fire-Man!
- Goosteeeiii!!!
Fonte: Notícias de jornal
Rio de Janeiro - Uma criança morta, desabamentos e ruas alagadas. Este foi o resultado das forte chuvas que atingiram o município do Rio(...)No morro da Mangueira, uma casa desabou. O acidente mais grave ocorreu por volta de 6 horas, no Complexo do Alemão, na Penha. Anderson de Oliveira, de 12 anos, dormia no quarto quando foi soterrado (...).

Escrito por -=Cömbätente=- às 10h28
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