Vida na caserna


LIVRO DE OCORRÊNCIAS

INCÊNDIO NA 24 DE MAIO

Por Marcio Duarte

Ainda sinto a fumaça em minhas vias aéreas. Parece circular por todo o corpo. Os poros, de alguma maneira, parecem expelir uma mistura de fumaça e suor, como se dissesse: “você não é bem vinda”. Os olhos estão vermelhos como fogo e ardem à claridade da luz.  Com certeza vou precisar de um colírio depois disso. O relógio de pulso está impregnado pelo cheiro – lembrei de tira-lo quando estava a caminho, mas a idéia fugiu do pensamento quando avistei o clarão da combustão.

O fogo estava faminto aquela noite. Impiedoso, consumindo tudo que via pela frente. O prédio ardia em chamas.

 

Ainda na viatura enfrentávamos o trânsito caótico e o amontoado de curiosos que dificultavam a passagem. As sirenes gritavam furiosamente pedindo passagem e os carros se espremiam num canto qualquer da calçada para dar espaço ao comboio de viaturas vermelhas. Buzinas de todos os tipos, faróis e as luzes dos giroscópios completavam o cenário de horror e caos.

 

O local do sinistro era um edifício na rua 24 de Maio, na altura do Bairro Sampaio, Zona Norte do Rio de Janeiro onde funcionava uma Madereira.  de cara percebi que íamos ficar a noite toda -  O fogo começou por volta das 21h30 e se espalhou rapidamente chegando à loja de ferragens. Talvez por condução. Materiais inflamáveis nos dois estabelecimentos causaram pequenas explosões que derrubaram a parede de um dos edifícios.

Continua abaixo....



 Escrito por -=Cömbätente=- às 15h09
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Parte II

Chegamos com o nosso ABI (Auto Bomba) mas a capacidade de água foi insuficiente para conter as chamas. No local já havia cerca de 100 bombeiros dos quartéis mais próximos e um oficial de Vila Isabel comandava a operação.

 

O comandante da nossa equipe era um capitão que passei a chamá-lo de “pé quente” – aquele que atrai fogo.  Recebemos as instruções e prontamente fomos empregar toda a nossa energia em benefício do serviço – conforme os preceitos da ética do BM (Art. 25).

 

Tivemos dificuldade para chegar ao foco devido o risco de desabamentos. Tentamos a lateral mais a parede do prédio, que havia caído antes da nossa chegada, dificultava o acesso. Conseguimos entrar pelos fundos do prédio graças a colaboração dos moradores que movidos de um sentimento de solidariedade nos davam passagem e nos ofereciam leite.

 Ficamos em cima de uma laje de onde se podia ver bem o *tetraedro do fogo.  O que dificultava ainda mais. Não havia muito fumaça – ainda – e não precisamos colocar a Máscara autônoma – foi menos um peso.

 

As linhas foram montadas e iniciamos o combate. Esguicho direcionado, jato sólido ou contínuo. Revezávamos naquela posição por horas. Parávamos quando a viatura ia abastecer – o que não demorava muito. Lá embaixo o fogo lambia as madeiras empilhadas como um dragão faminto.

No rosto da equipe um cansaço estampado. O suor escuro escorria pela face e nos olhos o reflexo do brilho vermelho-amarelado das chamas.  A expressão que traduzia a vontade inabalável de cumprir o dever de bombeiro-militar. Até com o sacrifício da própria vida.

 

Naqueles soldados-do-fogo, mais experientes, pude ver o amor à profissão e o entusiasmo com que é exercida; a consciência das responsabilidades;  o espírito de corpo -  manifestações essenciais do valor do bombeiro militar  que me fizeram sentir orgulho de pertencer à Corporação.

 

Os primeiros raios de sol despontavam no horizonte. Agora todo prédio deu lugar a uma fumaça branca e sufocante. Alguns focos remanescentes logo eram extintos pela equipe que nos substituía. Demonstrando camaradagem e cooperação. Não houve vítimas. 

 

De volta ao quartel éramos como soldados voltando da guerra. Não como derrotados, mas vitoriosos. Com aquela sensação de dever cumprido.

 

“Mas não temem da morte os bombeiros

Quando ecoa d’alarme o sinal

Ordenando voarem ligeiros

A vencer o vulcão infernal.”

 

*TETRAEDRO DO FOGO: esquema de quatro faces para exemplificar os quatro elementos essenciais do fogo: calor, combustível, comburente e reação em cadeia.



 Escrito por -=Cömbätente=- às 15h04
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O homem e o mundo

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava envolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas. Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajuda-lo a trabalhar. O cientista nervoso pela interrupção tentou que o filho fosse brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível demove-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção. De repente deparou-se com o mapa do mundo, o que procurava! Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com o rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:

            - Você gosta de quebra cabeça? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue conserta-lo bem direitinho! Faça tudo sozinho.

Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Algumas horas depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:

            - Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho! A princípio o pai não deu crédito as palavras do filho. Seria impossível na sua idade ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto.

Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?

Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar  o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo.

 

Autor desconhecido...



 Escrito por -=Cömbätente=- às 18h20
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